sábado, 16 de abril de 2011

Primeira Guerra Mundial - 3 E.Médio

A Primeira Guerra Mundial (1914-18)

     A I Guerra Mundial é o acontecimento que realmente dá início ao século XX, pondo fim ao que se convencionou chamar de Belle Epoque – 1871-1914: período em que as grandes potências européias não entraram em guerra entre si e a burguesia viveu sua época de maior fastígio, graças à expansão do capitalismo imperialista e à exploração imposta ao proletariado.
    Alguns países estavam extremamente descontentes com a partilha da Ásia e da África, ocorrida no final do século XIX. Alemanha e Itália, por exemplo, haviam ficado de fora no processo neocolonial. Enquanto isso, França e Inglaterra podiam explorar diversas colônias, ricas em matérias-primas e com um grande mercado consumidor. A insatisfação da Itália e da Alemanha, neste contexto, pode ser considerada uma das causas da Grande Guerra. Vale lembrar também que no início do século XX havia uma forte concorrência comercial entre os países europeus, principalmente na disputa pelos mercados consumidores. Esta concorrência gerou vários conflitos de interesses entre as nações. Ao mesmo tempo, os países estavam empenhados numa rápida corrida armamentista, já como uma maneira de se protegerem, ou atacarem, no futuro próximo. Esta corrida bélica gerava um clima de apreensão e medo entre os países, onde um tentava se armar mais do que o outro.
Mediante esse contexto, tínhamos formado o terrível “barril de pólvora” que explodiria com o início da guerra em 1914. Utilizando da disputa política pela região dos Bálcãs, a Europa detonou um conflito que inaugurava o temível poder de metralhadoras, submarinos, tanques, aviões e gases venenosos. Ao longo de quatro anos, a destruição e morte de milhares impuseram a revisão do antigo paradigma que lançava o mundo europeu como um modelo a ser seguido.

Os fatores que provocaram a I Guerra Mundial podem ser divididos em gerais e específicos.
Fatores gerais
·         Disputa dos mercados internacionais pelos países industrializados, que não conseguiam mais escoar toda a produção de suas fábricas. Tal concorrência era particularmente acirrada entre a Grã-Bretanha e a Alemanha.
·         Atritos entre as grandes potências devido a questões coloniais. Alemanha, Itália e Japão participaram com atraso da corrida neocolonialista e estavam insatisfeitos com as poucas colônias que haviam adquirido.
·         Exacerbação dos nacionalismos europeus, manipulados pelos respectivos governos como um meio de obter a adesão popular à causa da guerra. Há que considerar ainda o nacionalismo das populações que se encontravam sob o jugo do Império Austro-Húngaro ou do Império Russo e ansiavam pela independência.
Fatores específicos
·         A França alimentava em relação à Alemanha um forte sentimento de revanchismo, por causa da humilhante derrota sofrida na Guerra Franco-Prussiana de 1870-71, e desejava recuperar a região da Alsácia-Lorena, perdida para os alemães naquele conflito.
·         A Itália, cujo processo de unificação política ocorrera no século XIX, desejava incorporar as cidades “irredentas” (não-redimidas) de Trento e Trieste, que continuavam em poder da Áustria-Hungria.
·         O Reino da Sérvia aspirava à formação de uma Grande Sérvia; para tanto, pretendia anexar o vizinho Reino do Montenegro e as regiões da Bósnia-Herzegovina, Croácia e Eslovênia, pertencentes ao Império Austro-Húngaro. As ambições sérvias eram respaldadas pela Rússia, desejosa de consolidar sua influência nos Bálcãs para ter acesso ao Mar Mediterrâneo.
·         O decadente Império Otomano (Turquia), apelidado O Homem Doente da Europa, vinha sofrendo uma dupla pressão: da Rússia, que tencionava apossar-se dos estreitos do Bósforo e dos Dardanelos, e da Grã-Bretanha, que desejava libertar as populações árabes do domínio turco, a fim de poder explorar o petróleo do Oriente Médio. Tal situação levou o governo otomano a se aproximar da Alemanha, em busca de ajuda técnica e militar.
França e Alemanha
Existia  entre duas nações poderosas da época, uma rivalidade muito grande. A França havia perdido, no final do século XIX, a região da Alsácia-Lorena para a Alemanha, durante a Guerra Franco Prussiana. O revanchismo francês estava no ar, e os franceses esperando uma oportunidade para retomar a rica região perdida. Depois que a Alemanha impôs a derrota à França na Guerra Franco-Prussiana de 1870-71, a maioria das nações européias começou a se ocupar com planos para uma próxima guerra, fato tido como inevitável devido às ambições beligerantes dos principais líderes. No caso da França, os planos incluíam a reconquista da Alsácia e da Lorena, ambas perdidas para os alemães na Guerra Franco-Prussiana.




Alemanha e Inglaterra
A rivalidade entre Alemanha e Inglaterra também é uma das causas. Os Ingleses sempre dominaram os mares da Europa (desde a época do descobrimento do Brasil!), e os alemães, claro, não gostavam nada disso. Essa rivalidade teve origem na competição industrial e comercial. Em apenas três décadas, a contar de sua unificação, a Alemanha tornou-se uma grande potência industrial. Os  produtos de suas fábricas tornaram-se mundialmente conhecidos, inclusive com enorme aceitação no mercado inglês. Fortalecida, a Alemanha passou a pressionar para que houvesse uma nova repartição do mundo colonial. A Inglaterra, por sua, vez, mostrava disposição em manter suas conquistas a qualquer custo.Iniciou-se uma corrida armamentista, desenvolvimento de navios de guerra, etc. A tensão aumentou quando a Inglaterra construiu o revolucionário encouraçado HMS Dreadnought.

Nacionalismo:
Pan-eslavismo – Política estimulada pela Rússia, defendia a união de todos os povos de origem eslava da Europa oriental, aproveitando-se da fragmentação do Império Otomano, incluindo os que estão sob domínio do Império Austro-Húngaro.

Pangermanismo – Ideal defendido pelos alemães, propõe a formação de um bloco de países de origem germânica.

Revanchismo francês – O sentimento de revanche se desenvolveu a partir de 1871 quando a França foi derrotada pelas tropas de Bismark, que completam a unificação alemã, tomando as regiões da Alsácia-Lorena, rica em carvão e minério de ferro e coroaram o rei Guilherme I da Prússia imperador alemão em Paris, em 18 de janeiro de 1871 na Sala dos Espelhos do Palácio de Versailles, em Paris.

Crise Balcânica – Os conflitos entre Áustria e Sérvia na península balcânica colaboram para acirrar as diferenças nacionalistas entre os países europeus. Com o apoio da Rússia, os sérvios tentaram conter o expansionismo austríaco. Em 1908 a Áustria anexou a Bósnia-Herzegóvina impedindo que a Sérvia mantivesse sua política de organizar a “Grande Sérvia”, que incorporaria as regiões balcânicas de povos eslavos.

As pretensões austríacas fez crescer os movimentos nacionalistas na região; várias sociedades secretas surgiram para agir contra a Áustria, como a Jovem Bósnia, que pretendiam a criação de um único Estado que envolvesse os povos eslavos da região e para isso julgavam necessário eliminar a política imperialista dos austríacos.
Francisco Ferdinando, herdeiro do trono austríaco, resolveu ir à Bósnia no final de junho de 1914 e ao desfilar em locais públicos sem um esquema espacial de segurança, foi alvo fácil de um atentado que serviu para agudizar as tensões existentes, já que colocava o governo da Sérvia sob suspeita.

Política de Alianças

Os países europeus começaram a fazer alianças políticas e militares desde o final do século XIX. Durante o conflito mundial estas alianças permaneceram. De um lado havia a Tríplice Aliança formada em 1882 por Itália, Império Austro-Húngaro e Alemanha ( a Itália passou para a outra aliança em 1915). Do outro lado a Tríplice Entente, formada em 1907, com a participação de França, Rússia e Reino Unido.
O período que antecedeu a eclosão da I Guerra Mundial é conhecido pelo nome de Paz Armada, pois as grandes potências, convencidas da inevitabilidade do conflito e até mesmo desejando-o, aceleraram seus preparativos bélicos (exceto a Itália, que não estava bem certa do que iria fazer). Por duas vezes, em 1905 e 1911, a Alemanha provocou a França a respeito do Marrocos, mas as crises foram contornadas


O início da guerra

Até 1912, o enfraquecido Império Otomano ainda conservava nos Bálcãs uma faixa territorial que se estendia de Istambul (antiga Constantinopla) ao Mar Adriático e incluía a Albânia. Entre 1912 e 1913, porém, perdeu quase todas essas terras para a Grécia, Bulgária e sobretudo para a Sérvia, que deu os primeiros passos no sentido de implementar seu projeto da “Grande Sérvia”; a Albânia tornou-se um Estado independente.
Em 28 de junho de 1914, o arquiduque Francisco Fernando de Habsburgo, herdeiro do trono austro-húngaro, visitava Sarajevo, capital da Bósnia, com sua esposa, quando ambos foram assassinados por um jovem bósnio cristão ortodoxo (a imensa maioria dos bósnios era muçulmana), partidário da união com a Sérvia. A Áustria-Hungria, alegando envolvimento do governo sérvio no crime, apresentou uma série de exigências que foram rejeitadas pela Sérvia.
Em 28 de julho, a Áustria-Hungria declarou guerra à Sérvia. No dia seguinte, a Rússia pôs suas tropas em estado de prontidão, e a Alemanha fez o mesmo em 30 de julho. Na madrugada de 1º de agosto, a Alemanha declarou guerra à Rússia, sendo imitada pelo governo austro-húngaro.
Grã-Bretanha e França, surpreendidas pela rapidez dos acontecimentos, não se moveram. Mas a Alemanha, cujos planos de campanha estavam prontos desde 1911, declarou guerra à França em 3 de agosto. Na madrugada de 4, as tropas alemãs invadiram a Bélgica – que era neutra – para surpreender os franceses com um ataque vindo de direção inesperada. A Bélgica, militarmente fraca, não conseguiria conter os invasores, os quais deveriam alcançar rapidamente o Canal da Mancha. Alarmado com essa perspectiva, o governo britânico declarou guerra à Alemanha na noite de 4 de agosto.
1917: o ano decisivo
A Alemanha possuía a maior frota de submarinos entre os países beligerantes. Entretanto, os comandantes dessas embarcações vinham se abstendo de torpedear navios de passageiros (ainda que de bandeira inimiga) e quaisquer navios de países neutros. A exceção foi o transatlântico inglês Lusitania, torpedeado em 1915 e que explodiu – provavelmente por estar transportando secretamente munições norte-americanas para a Inglaterra.
Em janeiro de 1917, o governo alemão anunciou que iria iniciar uma campanha submarina “sem restrições”; ou seja, seus submarinos torpedeariam quaisquer navios que tentassem alcançar portos franceses ou britânicos. Essa decisão complicou a situação dos Aliados, pois a Grã-Bretanha dependia de fornecimentos marítimos para sua própria sobrevivência.
Em março de 1917, estourou a Revolução Russa. O czar Nicolau II foi derrubado e um governo provisório liberal (formado por aristocratas e burgueses) assumiu o poder. Oficialmente, a Rússia continuou na guerra contra a Alemanha; mas seus soldados, esgotados e desmoralizados, praticamente pararam de combater. Essa circunstância poderia permitir aos alemães deslocarem tropas para a frente ocidental, derrotando definitivamente ingleses e franceses.
No decorrer da guerra, os Estados Unidos haviam-se tornado os grandes fornecedores dos Aliados, aos quais vendiam desde alimentos até armas e munições. Grã-Bretanha, França e outros países tinham acumulado débitos enormes junto aos empresários norte-americanos, os quais não poderiam suportar o fantástico prejuízo advindo de uma possível derrota anglo-francesa.
Por essa razão, em 6 de abril de 1917, tomando como pretexto o afundamento de cinco navios norte-americanos por submarinos alemães, o presidente Wilson (o mesmo que em janeiro daquele ano divulgara seus 14 pontos para uma paz justa), declarou guerra aos Impérios Centrais. Como o país não tinha serviço militar obrigatório, foram necessários dez meses para treinar um enorme exército que pudesse operar na Europa. Mas a marinha de guerra norte-americana entrou imediatamente na luta contra os submarinos alemães, aliviando a grave situação dos ingleses

   

1918: Cronologia do término do conflito
Fevereiro: Chegada das primeiras tropas norte-americanas à França.
Março: O governo bolchevique (comunista) russo, que fora instaurado em novembro de 1917, assina o Tratado de Brest-Litovsk com a Alemanha, retirando a Rússia da guerra. No mesmo mês, os alemães iniciam uma última ofensiva na frente ocidental, mas mais uma vez não conseguem tomar Paris.
Julho: Contra-ofensiva aliada na França. Os alemães começam a bater em retirada.
Setembro: Capitulação (rendição) da Bulgária.
Outubro: Capitulação da Turquia.
Novembro: O Império Austro-Húngaro desintegra-se no dia 3. Áustria e Hungria assinam armistícios (acordos de cessar-fogo) separados. No dia 9, irrompe uma revolução republicana na Alemanha; fuga do Kaiser Guilherme II. No dia 11, o novo governo alemão assina um armistício com os Aliados, na expectativa de serem observados os “14 Pontos” de Wilson (expectativa frustrada pela dureza das condições impostas pelos vencedores).
Os tratados de paz
Em 1919, reuniu-se a Conferência de Paz de Paris, para a qual somente a Rússia não foi convidada. Todavia, em vez de discussões amplas e abertas entre todos os envolvidos na Grande Guerra (nome dado ao conflito de 1914-18 até 1939, quando começou a II Guerra Mundial), os tratados de paz foram elaborados pelos Três Grandes – Wilson, dos EUA; Lloyd George, da Grã-Bretanha; Clemenceau, da França – e impostos aos países vencidos.
O tratado mais importante foi o de Versalhes, que a Alemanha foi obrigada a assinar. Eis suas cláusulas mais importantes:
A Alemanha foi considerada a única responsável pela eclosão da guerra.
Foram perdidas todas as colônias e vários territórios alemães na Europa (principais: a Alsácia-Lorena, restituída à França; o Corredor Polonês, que dividiu a Alemanha em duas partes; o porto de Danzig, transformado em cidade-livre).
Limitações militares: proibição do serviço militar obrigatório e da produção de aviões de combate, tanques, canhões gigantes, navios de guerra de grande porte e submarinos, além da limitação do exército alemão a 100 mil homens.
Pagamento de pesadíssimas reparações de guerra.
As duras (e injustas) condições do Tratado de Versalhes geraram entre os alemães um profundo ressentimento, responsável em grande parte pela ascensão de Hitler ao poder– o que acabaria levando à II Guerra Mundial.
Consequências da I Guerra Mundial
·         11 milhões de mortos (destes, 8 milhões eram combatentes).
·         Fim dos impérios Russo, Austro-Húngaro, Alemão e Otomano.
·         Surgimento de novos Estados europeus:
Do desmembramento do Império Austro-Húngaro: Áustria, Hungria, Checoslováquia e Iugoslávia (nome oficial da “Grande Sérvia”, criado em 1931).
Do desmembramento do Império Russo:
URSS, Finlândia, Polônia, Lituânia, Letônia e Estônia.
·         Crise econômica generalizada, com especial gravidade na URSS, Itália e Alemanha.
·         Surgimento dos regimes totalitários, tanto de esquerda (comunismo) como de direita (fascismo).
·         Ascensão dos EUA à posição de maior potência mundial.
·         Criação da Sociedade das Nações ou Liga das Nações – um dos poucos itens dos “14 Pontos” que foram aproveitados.
·         Existência de minorias étnicas com tendência separatista em vários países da Europa Central e Oriental, criando graves focos de tensão.
     



http://www.infoescola.com/historia/causas-da-primeira-guerra-mundial/
http://www.curso-objetivo.br/vestibular/roteiro_estudos/primeira_guerra_mundial.aspx

quinta-feira, 31 de março de 2011

Idade Média - Feudalismo

ALTA IDADE MÉDIA: FEUDALISMO
                           FEUDO: Na  Idade Média, feudos eram todos os bens e tributos trocados entre nobres - incluindo aí as propriedades, que eram mais conhecidas como senhorios. Esse sistema de trocas regulava todas as relações entre os nobres medievais. As grandes propriedades rurais da época medieval eram divididas em três categorias de terras. A primeira - que englobava a maior parte do solo cultivável - era o chamado manso senhorial, onde tudo o que se produzia pertencia ao senhor feudal, o dono da fazenda. Os servos trabalhavam em todas as terras, mas só podiam tirar seu sustento dos minúsculos lotes que formavam a segunda categoria de terras, o manso servil. Por fim, os bosques, florestas e pântanos eram coletivos - ou quase isso: os animais maiores só podiam ser caçados pelos senhores.





A Cerimônia de Investidura e Homenagem na Idade Média
Era no contexto da concessão de um feudo que ocorriam cerimônias especiais: as cerimônias de homenagem e de investidura. Através da homenagem, quem ia ser vassalo ficava dependente do suserano e jurava-lhe fidelidade num ato onde colocava as mãos sobre uma bíblia ou sobre um objeto considerado relíquia de um santo. Nesse momento ele prometia por sua honra, ser fiel e verdadeiro seguidor do senhor a quem se tornara súdito. Através da investidura, o suserano entregava o feudo ao vassalo, levando-o para a nova terra ou dando-lhe um objeto simbólico da mesma ( estandarte, cetro, vara...). A partir dai, havia obrigações recíprocas entre ambos. O vassalo devia ao suserano, fidelidade a ele e a seus bens, devia prestar-lhe serviço militar, ou ceder-lhe seus homens quando necessário a nível militar. Em nível de justiça devia serviços no seu tribunal.
O suserano por sua vez  devia garantir aos vassalos a posse da terra, protegê-lo, auxiliá-lo e respeitá-lo, administrá-lo boa justiça e não tirar-lhe o feudo sem uma boa justificativa. Tudo isso era baseado na palavra de um contra o outro e na exploração da terra. Como a nobreza estava sempre envolvida em guerras a questão de fidelidade e lealdade baseadas na honra era importante entre os senhores.
Podia ocorrer a ruptura do contrato vassálico, o que permitia o jogo político do sistema feudal devido a pluralidade dos compromissos de um mesmo vassalo. Quase todos os vassalos estavam ligados a vários senhores. Isso o levaria muitas vezes optar por um deles.

Sociedade Feudal: Sociedade Dividida


(o povo), que devia trabalhar paseusnto e para rabalhar para o seu sustento e para o sustento dos outros.
Atualmente a primeira classe social é a dos mais ricos. Naquele tempo era de sim, a dos mais virtuosos, isto é, o Clero, que se entregava ao serviço de Deus.   
Na Alta Idade Média, a condição social de um indivíduo era determinada por seu nascimento e permanecia inalterada ao longo de sua vida. Mas essa imobilidade social não era absoluta. Os vilões - moradores da vila - não eram presos à terra como os servos. Eles prestavam serviços ao senhor feudal e podiam, por seus méritos pessoais, ascender na escala social. Na sociedade feudal, a honra e a palavra tinham importância fundamental. Desse modo, os senhores feudais ligavam-se entre si por meio de um complexo sistema de obrigações e tradições.
A sociedade feudal estava dividida basicamente em três grupos:
Clero
Na Idade Média, grande parte das pessoas não sabia ler e escrever. Eram os monges e os padres que dominavam a escrita e a leitura.
Clero ("rezadores") nobres sacerdotes. Eram os dirigentes da Igreja, administravam suas propriedades e tinham grande influência política e ideológica (isto é, na formação das mentalidades e das opiniões) sobre toda a sociedade.

                                     Nobres


A Nobreza era um grupo social altamente privilegiado, formando os nobres uma riqueza conjunta de cavaleiros e pessoas que defendiam a população e lutavam contra os inimigos do Rei e em troca, recebiam títulos, importantes cargos e terras, o que permitiam o seu grande enriquecimento. Todos estes fatores permitiam uma aristocracia fundiária, isto é, uma riqueza em que os terrenos e campos eram sinais de poder. As grandes propriedades que o alto clero e a alta nobreza dispunham eram designadas de senhorios. Possuíam a terra e o monopólio militar. Em tempos de paz, as atividades favoritas eram a caça e os torneios esportivos, que serviam de treino para a guerra.
Os grandes nobres possuíam poderes muito importantes :
- Cobrança de impostos às populações;
- Aplicação da Justiça;
- Cunhagem de moeda;- Posse de exército.
A nobreza era a classe militar, obrigada a lutar em tempo de guerra. Os plebeus não eram obrigados a combater na época de guerra, a não ser que o contrato com o senhor o exigisse, dentro de certos limites de tempo e espaço. Assim, não lutavam durante o tempo das colheitas, nem deviam deslocar-se além de certa distância do lugar onde moravam. Também podiam engajar-se como mercenários, ganhando dinheiro com a guerra e enriquecendo com os saques. O nobre era obrigado a combater, tendo a pagar o imposto do sangue, muito penoso naquela época, devido às precárias condições existentes para o tratamento adequado dos traumatismos e mutilações recebidos em combate.
Outra obrigação sua era a caça às feras daninhas à agricultura, de que a Europa estava cheia, como javalis, ursos e raposas. Com o passar do tempo essa caça foi sendo organizada como um esporte, mas de qualquer modo era um dever. 


                              Os Servos

Servos (laboratores, palavra latina que significa "trabalhadores")- maioria da população camponesa, os servos realizavam os trabalhos necessários à subsistência da sociedade. Ele não podia ser vendido ou separado da família, não podia testemunhar contra homem livre, não podia tornar-se clérigo. Porém, ao contrário do escravo clássico, tinha reconhecida sua condição humana, podia ter bens e recebia proteção do senhor. (Hilário Franco Jr. A Idade Média: o nascimento do Ocidente. São Paulo, Brasiliense, 1999. p.192)
Em troca do direito de usar a terra, eles tinham de prestar serviços e pagar uma série de tributos. Entre as principais obrigações servis estavam à corvéia, trabalho gratuito; a talha, porcentagem da produção dada ao senhor; e a banalidade, pagamento pela utilização de instrumentos ou bens, entre outros. Seu tempo era dividido entre o trabalho nas terras do senhor e em suas próprias terras, de cujos frutos ele vivia. Algumas vezes beneficiava-se ainda de uma porcentagem do que produzia nas terras do senhor. Seu contrato de trabalho era hereditário e intocável. Tinha direito a constituir família. Se o senhor vendia as terras que possuía, estas eram alienadas junto com o servo, que não podia ser mandado embora.


    




Curiosidades da Idade Média

1.  A vida do camponês não era só trabalho. Ele trabalhava duro e pagava taxas à nobreza e ao clero. Mas eram variadas suas distrações nos muitos dias livres: festas na aldeia com cantos e danças, jogos de dados, competições esportivas e festas religiosas.
2.  A partir do Séc. XII os castelos tinham bibliotecas. Arrumados em armários fechados, os valiosos manuscritos eram conservados ao abrigo da luz e da umidade. Encontravam-se ali livros religiosos, romances de cavalaria, obras científicas e históricas.
3.  Comia-se muito nos castelos, sem noção de saúde e bem-estar. Os banquetes eram copiosos e acompanhados por muitas bebidas. No entanto, as mulheres eram sóbrias no comer e no beber, com o objetivo de ter filhos saudáveis.
4.  A refeição refletia o prestígio do senhor feudal. Por isso, cada banquete medieval era pensado e preparado pensando mais em deslumbrar que alimentar.
5.  A roupa era uma expressão da hiearquia social. Era costume que todos se vestissem de acordo com a sua posição e função na sociedade, e a violação da regra era considerada afronta à ordem divina.
6.  Em tempos de guerra, as mulheres desempenhavam papel fundamental. Quando os maridos morriam, elas passavam a gerir as propriedades e a defender a família. Quando eles caíam reféns, elas levantavam o valor do resgate exigido pelo inimigo.
7.  Na Idade Média a Europa ainda não conhecia o milho. Mas já cultivava o trigo, a cevada, o centeio e a aveia. A maior parte dos cereais eram cultivados e usados para fabricar o pão.
8.  O senhor feudal tinha obrigações militares (de vigilância e patrulha da senhoria (da terra) como um todo) e direitos variados: ser recebido em todas as casas, cobrar pedágios, comercializar antes os seus produtos para obter melhores preços, ter preferência na hora de comprar produtos nas feiras, impor sua própria justiça e cobrar impostos.
9.  A pá, usada para revirar a terra e afofá-la e a enxada, usada para arrancar raízes, serviam para o manso servil; já o uso do arado com tração animal e da charrua ficava mais restrito aos extensos lotes do manso senhorial. 
Fonte de Pesquisa:
·         História Viva Especial: A redescoberta da Idade Média. Nº 32. Editora Duetto.
·         scipione.com.brscipione.com.brfragmentosdahistoria.blogspot.comfragmentosdahistoria.blogspot.combrasilescola.com